O que Jesus disse sobre o divórcio

by Charles R. Swindoll

 

Ultimamente, o mundo ocidental tem ampliado o foco sobre o tema do casamento do mesmo sexo, deixando a questão do divórcio praticamente ignorada. No entanto os cristãos e não-cristãos igualmente continuam lutando na questão de divórcio, considerando-o, ou tomando a decisão de se divorciar. Precisamos de orientação clara sobre este tema. O ensinamento da Bíblia sobre o divórcio é extenso; no entanto, neste pequeno pedaço, vamos estreitar nosso foco para um aspecto importante do ensinamento de Jesus em Marcos 10:1-12 – a condição para o divórcio.

Quando os fariseus testaram Jesus sobre essa questão controversa do divórcio, a resposta Dele se focou no lado “uma só carne” de um casal (Marcos 10:2-9). Mais tarde, os discípulos pediram a Jesus, em particular, para explicar Sua resposta (10:10). Como era Seu costume, uma vez que Ele estava sozinho com os discípulos, Jesus destacou a parte saliente de Seu ensino. Ele afirmou claramente que o casamento é para ser um vínculo permanente entre um homem e uma mulher. Quebrar isso e se casar com outra pessoa é adultério (10:11-12).

Jesus afirmou (e ainda afirma) a permanência do vínculo matrimonial. Mas Ele também reconheceu que, devido à depravação do coração humano, o vínculo conjugal pode ser rompido em determinadas circunstâncias. Quais são essas circunstâncias? Isso nos obriga a voltar para a “cláusula de exceção” de Mateus 19:9:

 

Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério.

A palavra grega que Jesus usou para “imoralidade” é a palavra da qual temos a nossa palavra moderna pornografia. A “imoralidade” nesse versículo é baseada na palavra porneia. A raiz, porne, significa “prostituta”. Em Mateus 19, Jesus poderia ter usado a palavra molxeia, a palavra usada especificamente para o adultério, mas Ele escolheu um termo mais amplo. Porneia, quando aplicada à atividade sexual ilícita entre casais não casados, muitas vezes é traduzida como “fornicação”. Quando aplicada à atividade sexual ilícita entre aqueles que são casados, porneia é muitas vezes traduzida por “adultério”. Em ambos os casos, porneia é considerada imoralidade.

Geralmente, o termo grego porneia refere-se atividade sexual que é imoral, ilícita, e às vezes não natural. Por essa razão, alguns estudiosos interpretam o termo vagamente e o aplicam à homossexualidade, bestialidade, incesto, e outros semelhantes. Mas vamos manter em mente, não importa o quão imoral estas atividades são, Jesus só permitiu o divórcio por tais ofensas… Ele não o mandou.

Se você tiver um cônjuge que é culpado dos tipos das coisas que acabamos de descrever, você não é obrigado a se afastar dessa pessoa. O objetivo em tais relacionamentos conjugais é a reconciliação – sempre. Paulo escreveu em Gálatas 6:1:

 

Se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão.

Eu sei de um exemplo disso. Um homem casado, que durante uma viagem de negócios, ligou a TV num canal pornô em seu quarto de hotel. Ele assistiu por apenas um ou dois minutos, mas, em seguida, desligou-o, sentindo-se culpado e envergonhado. Quando voltou para casa de sua viagem, ele não conseguia dormir. Finalmente, ele confessou a sua mulher que ele havia feito. Naquele momento, seu casamento acabou. Sua esposa se recusou a perdoá-lo daquele único tropeço. Ela estava determinada a tirá-lo de sua vida. E por um breve período de tempo, ela conseguiu.

Não me entenda mal. Eu não aprovo o que esse homem fez em seu quarto de hotel. Mas também não concordo com o que sua esposa fez. O divórcio é uma decisão pessoal, não um mandato divino. E porneia não é uma regra geral que podemos espalhar em qualquer imoralidade do casamento e dizer: “Te peguei! Agora que você fez isso, está tudo acabado! Agora é divórcio!!” Mais uma vez, o divórcio é permitido em casos de porneia; ele não é ordenado. A reconciliação é a meta – no espírito de “Como podemos resolver essa violação grave em nosso relacionamento?” e não, “Como posso sair disso?”

Deixe-me acrescentar que porneia não é um pecado imperdoável. É claro que é um ato muito sério, doloroso e emocionalmente devastador de desobediência e traição. Mas não precisa ser tratado como se ele não pudesse ser perdoado. Se você estiver no meio de uma traição devastadora e você acreditar que seu casamento está pendurado por um fio, por favor, considere o trabalho árduo de reconciliação antes de fazer a reação automática: “Eu tenho todo motivo para divórcio, e eu não vou parar até que eu consiga!” Mais frequente do que imagina, o preenchimento desses documentos só vai trocar uma dor de cabeça por outra ainda mais profunda.

 


 

Adaptado de Charles R. Swindoll, Divorce & Remarriage: According to Jesus (Plano, Texas: IFL Publishing House, 2013). Copyright © 2013 por Charles R. Swindoll, Inc. Todos os direitos reservados mundialmente.

 

 

Charles R. Swindoll

Charles R. Swindoll tem dedicado a sua vida ao ensino preciso e prático da Palavra de Deus e sua aplicação.  Desde 1998, atua como pastor-professor sênior na Stonebriar Community Church, igreja da qual é fundador, em Frisco, no Texas. Sua audiência se estende para além da igreja local. Com um programa de rádio cristão desde 1979, o Insight for Living é transmitido ao redor do mundo, alcançando diversos grupos de pessoas em seus próprios idiomas. Seu extenso ministério como escritor também tem servido ao Corpo de Cristo ao redor do mundo, e sua liderança como presidente e agora chanceler do Seminário Teológico de Dallas tem ajudado a preparar e equipar uma nova geração de homens e mulheres para o ministério. Chuck e Cynthia, sua parceira na vida e no ministério, têm quatro filhos adultos, dez netos e dois bisnetos.

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